Truque

23 jun

[ texto fruto de um sonho 'psicodélico' que eu tive. eu já fui power ranger e até mosqueteiro. dessa vez eu era mágico. matutei um pouco ao acordar. eis o texto. a foto é de um amigo mágico, Horus ]

Descia, desesperado, as escadas da torre

Um estranho disse “pule a janela”

(Mas havia cerca elétrica)

Uma gorda perguntou quem era

Falou o nome e o que fazia

Ela riu e perguntou de novo “Quem é você?”

Não quis saber, correu

No salão, uma multidão esperava

- QUEM É VOCÊ?!

- Eu sou mágico!

.

Fez objetos voarem

Cartas falarem

Pessoas felizes

(Uma verdadeira ilusão)

Ratos invadiram a torre

Roeram a roupa das vidas

.

- Escolha uma carta!

“Eu quero ilusão”, todos disseram

Todos felizes, então.

.

Eis o grande truque


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Entre livros e ilusões

27 abr

[ Baseado em fardos (sur)reais ]

 Ele se espriguiçava levando as mãos a nuca. Depois levantando os dois braços. Depois baixava o esquerdo e coçava a nuca, mantendo o direito levantado – o braço a ser mantido variava. E bocejava exageradamente pra finalizar seu ritual. Coça os olhos com um pouco de sono – já estava na biblioteca por algumas horas sem desgrudar os olhos da leitura. Olha para o nada e antes que baixe a cabeça por completo numa posição confortável para retornar ao seu “banquete”, ele a viu subindo as escadas. Aquele mesmo cabelo castanho claro ondulado moldando o rosto branco decorado com dois olhos inquisitores sobre um narizinho empinado próximo à boca rosada – como se fosse um suave golpe de pincel finalizando a obra.

 O pequeno corpo branco e macio – digo pequeno em altura, porque era um corpo largo, mas não gordo, era gostoso – passou por ele rápido, pisando o chão bem forte e negando a existência daquele corpo sentado bem próximo. Dobrou a esquerda e se perdeu entre as estantes de Literatura. Ele ficou louco, não a via desde Dezembro e já era quase Carnaval. Ele era facinado em olhar pra ela, nunca havia dado um “oi” sequer, mas se contentava em olhar, talvez algo a mais estragasse o encanto. Mas ele tomou coragem – nem tanta assim – e foi em direção aos livros de Literatura. Foi ao meio do corredor – ela estava no início – fingia procurar livros e foi se aproximando despreocupadamente. Então, disparou:

- Você cursa letras, né? – ele perguntou hesitante.

 - Sim. – ela respondeu indiferente.

 - Indica um bom livro?

 - De que você gosta? – ela nem olhava pra ele.

 - Dos que não me deixem parar de ler.

 - Talvez eu não possa lhe ajudar. – ela disse num tom de fim de conversa.

Ele percebeu e retomou.

- Não?

- Eu preciso saber do seu gosto. – ela respondeu impaciente, olhando pra ele e franzindo a testa.

- Pedi uma indicação, então confie no seu gosto. – falando firme.

- Eu confio. E ele me diz que eu não gosto de você. – quase mutilando com os olhos.

- É? Vejo que somos opostos, então. – um tom descontraído na voz.

- É? – voz indiferente, despreocupada procurando seus livros.

- Sim, eu gosto de você. Idiotamente. – lançando um olhar dissimulado.

- Olhe… Já disse que não posso lhe ajudar.

- Tá, já me contenta ler você.

- Eu sou uma nota. Você tem dez segundos…

Ela virou as costas e saiu. Ele manteve o seu sorriso de escárnio

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Uma rapidinha (ou “Amor à Primeira Transa”)

12 abr

Casório no agreste, em uma cidade pequenina. Meia hora de atraso – se é que se pode chamar tal momento de atraso, afinal faz parte da festa ver o noivo suar. Duas pingas pra acalmar. Menino querendo doce. Choro de mãe. Padrinhos nervosos. Um casal se olha. Burburinho, e logo o silêncio. A noiva chega. Correria. Um casal se olha. Todos em seus lugares, levantam-se. Um casal sai.

Noivos caminham pro altar. O casal corre para o banco traseiro da kombi. O padre saúda a igreja. As bocas se saúdam. Nervosismo e aperto no peito dos noivos. Aperto de corpos entre o casal. Borboletas no estômago dos noivos. Cabeçadas entre as coxas do casal. Choro e suspiro na igreja. Gemidos e sussuros na kombi. Selando o amor. Melando o calção.

- Que fale agora ou cala-se para…

- Nós também queremos casar!

S-u-r-p-r-e-s-a geral! Satisfação e prazer em dupla! Era só isso que importava. Loucura?

- Que sejam felizes para sempre!

Quanto dura o para sempre?

Um casal, amor. E o outro? Amor, também. Por que não?

- Vamos dar mais uma?

Que fale agora ou case-se para sempre.

 

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alô, alô, Realengo!

10 abr

 

 

Crucifica-o!

Pela televisão escorre sangue. Nos seus olhos também. Crianças mortas por um morto-vivo. Barrabás é o herói, e Pilatos diz “muito obrigado” – sempre de mãos lavadas, um toc.

A cheirosinha do jornal e os doutores especialistas dizem (repetem repetem repetem choram) “monstro”. Os humanóides dizem “Sim! Monstro”.

Crucifica-o! Pena que ele já morreu… Comeríamos a carne dele.

Alzheimer para a miséria absoluta, para o chão rachado após tremor 8.0 na escala richter na vida de muitos outros miseráveis.

Entre a periferia e o firmamento há mais inferno e realengos que nossa vã ignorância possa desconsiderar. Nosso neonazismo camuflado em boa moral cristã quer inquisição de mãos bem lavadas.

Ninguém se crucifica nesse (por esse) Real Engenho. Real Engº. Realengo.

 

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Fatal

6 abr

- A senhora tem um tumor maligno. Começou no pulmão e agora…

 

Bla, bla, bla!! Diga logo qual o dia, caralho.

 

- Quanto tempo, doutor?

- Três meses. Consequência do cigarro! Tente parar e fazer…

 

Tente parar de transar por uma semana, imbecil. Vai ver como me sinto sem fumar.

 

Trêmula, sai da clínica, deixa o olhar se perder na avenida e tira da bolsa o seu companheiro de toda obra e hora desde os 13 anos: o cigarro.

 

Preciso dar! Preciso dar! Nããããão! Eu TENHO que dar!

 

- Táxi!!!

- Pra onde, senhora?

- Siga a BR até a saída da cidade.

Daqui pro fim da cidade são meus exatos três meses.

- Ali, ali! A esquerda, logo após o retorno!

- Aqui, moça?! Aqui?!

- Isso! Entra e não me pergunta mais nada até estacionar.

 

“Amor Fatal” piscava em vermelho neon. Parecia premeditado.

 

Carro parado. Porta aberta. Ar ligado! AGORA!

 

- Tira a roupa, cara!

- Moça, tem certeza?!

- Tira logo!

- Oh, assim, nem precisa pagar a viagem…

 

Dois corpos nus.

 

- Deita, velho.

Puxa o brinquedinho. Longo e frio.

 

- Moça, o que é isso? Pra que isso? Não, não…

- Eu preciso relaxar. Não vai me ajudar? Vira, posição fetal.

 

Nu eu vim, nu voltarei. Pra que esperar três meses?

 

E ela deu. Dois estouros secos. Vermelho. Silêncio.

 

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Quinze Horas

24 fev

Ventilador ligado, único barulho. Um sonho:

- O que você sente? – sussuro com os /s/ marcardos.

- Eu sinto que vou morrer… – gaguejando, assustado.

Sobressaltado, levanta e olha a hora – 4h, início de manhã. No espelho, um rosto ainda assustado e suado. Banho quente resolve, relaxa. E café pra pensar – forte e sem açúcar, no estilo Buendía -, com braços apoiados no mármores negro. Tem padoca para molhar no café – e espalhar farelos. Escova os dentes, o som ainda ligado com uma música qualquer de uma rádio local. Coça a barba, olha o retrato, vira a chave e sai. O som continua ligado.

*  *  *

Caminha até o ponto de ônibus, sai bem mais cedo que de costumo. Uma tangerina na mão vai sumindo pouco a pouco. No ônibus, poesias sujas são repassadas. Desce no Campus, quase na sala. Professor substituto, o primeiro passo de um vida longa que viria. De lá, ao sol, para a biblioteca até as 12h. O chinês nosso de cada almoço. Ah, dessa vez com suco. Era o combinado: junto sem coca, só suco.

*  *  *

“Qualquer dia a gente vira cidadão da noite”, reclama sobre o sol forte. Corre para o aeroporto, compra uma revista – qualquer uma, é só gostar da capa. Cinco para as quinze. Vai ao vidro e bebe água. Pessoas descem, ela não. São quinze e trinta. Pessoas descem, ela não. Bate dezesseis: “Não é hoje que o avião vem, devo ter confundido”.

*  *  *

As quinze horas são esperadas há um mês. A mesma rotina circula como sangue. Todos os planos e sorrisos cairam do céu ao chão. E o dia se vai. E ela nunca virá.

*  *  *

“Quem sabe o que é ter e perder alguém

Faz tanta falta o teu amor e te esperar…

Não sei viver sem te ter

Não dá mais pra ser assim”

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Rabiscos sobre te fotografar

30 jan

Sem sono, com saudade, querendo escrever, escutando Roberto Carlos e fingindo desenhar.

 

 

TECLA SAP: Quer saber, preta? Não tem coisa mais moderna que revelar meu sorriso em você! Ainda termino isso num quarto escuro ou meia-luz.

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Minha primeira vez

8 jan

Algumas fotos que eu fiz para experimentar a minha Zenit 122 presenteada pela namorada gorda. Passei algumas no scanner e mexi um pouco no brilho e contraste delas no PS para ficar mais parecidas com o resultado no papel. As fotos não estão bem nítidas aí, porque o scanner tá um pouco batido e também saiu com algumas manchas. Mas o resultado no papel é muito bom, bem mais nítido do que o visto pelo seu monitor e bem bonito mesmo. A câmera é boa, sim. Só tem uma certa limitação na velocidade, mas nada que atrapalhe. Quem deseja se aventurar na fotografia analógica, eu recomendo. O filme usado foi de ISO 400. Quando estas fotos estiverem mais limpinhas vão para o meu flickr.

 

 

 

 

 

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Sambia

3 jan

No balanço do seu pandeiro,

Eu caio na folia

Coração surdo cortador bate sincopado

Marca arritmia

.

Na avenida minha vida desfila você, rainha

Samba quente em evolução

Harmonia, duas vidas

Samba enredo campeão

.

‘se sambia é pra celebrar

Nosso carnaval sem quarta-feira

Que você vem me enfeitar

De alegoria cor de pele preta

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Os números de 2010

2 jan

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 3,200 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 8 747s cheios.

 

Em 2010, escreveu 23 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 29 artigos. Fez upload de 12 imagens, ocupando um total de 27mb. Isso equivale a cerca de uma imagem por mês.

The busiest day of the year was 9 de agosto with 83 views. The most popular post that day was Soluço.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram twitter.com, orkut.com.br, iblamemydad.blogspot.com, blogger.com e formspring.me

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por bodega do padilha, bandeira do brasil, carro na chuva, carro chuva e que cor usar em um quadro ao entardecer

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

Soluço agosto, 2010
8 comentários

2

Embaçou junho, 2010
11 comentários

3

Beijinho abril, 2010
7 comentários

4

Carta a quem vai partir janeiro, 2010
6 comentários

5

As Nuvens abril, 2010
5 comentários

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