
- Quando chegar em casa, me liga, amor!
- Ligo, sim. Ou entro no MSN, tá? Tchau.
Um beijo singelo dele. Um abraço desesperado dela. Um dueto:
- Vou sentir saudades.
Então, ele partiu no seu carro amassado rumo à BR. A chuva caía como benção. Pingo de chuva fraca não vai embora com pára-brisas; espalha. Tudo embaçado.
* * * * *
A chuva caía como maldição.
* * * * *
Um barulho como de trovão. Dois carros amassados.
* * * * *
A chuva havia parado. Nada mais embaçado. Tudo mais limpo e nítido através do pára-brisa. Mas o caminho parecia ser diferente. Ele para o carro e buzina para a criança na estrada:
- Por favor, essa estrada vai dar onde?
- Moço, não reconhece as ruas de ouro? Você já fez uma longa viagem. É melhor descansar.
* * * * *
Sem ligações, Sem MSN. Nunca mais beijos singelos, nem abraços desesperados. Só saudades.
No caderninho