
Crucifica-o!
Pela televisão escorre sangue. Nos seus olhos também. Crianças mortas por um morto-vivo. Barrabás é o herói, e Pilatos diz “muito obrigado” – sempre de mãos lavadas, um toc.
A cheirosinha do jornal e os doutores especialistas dizem (repetem repetem repetem choram) “monstro”. Os humanóides dizem “Sim! Monstro”.
Crucifica-o! Pena que ele já morreu… Comeríamos a carne dele.
Alzheimer para a miséria absoluta, para o chão rachado após tremor 8.0 na escala richter na vida de muitos outros miseráveis.
Entre a periferia e o firmamento há mais inferno e realengos que nossa vã ignorância possa desconsiderar. Nosso neonazismo camuflado em boa moral cristã quer inquisição de mãos bem lavadas.
Ninguém se crucifica nesse (por esse) Real Engenho. Real Engº. Realengo.

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No caderninho