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alô, alô, Realengo!

10 abr

 

 

Crucifica-o!

Pela televisão escorre sangue. Nos seus olhos também. Crianças mortas por um morto-vivo. Barrabás é o herói, e Pilatos diz “muito obrigado” – sempre de mãos lavadas, um toc.

A cheirosinha do jornal e os doutores especialistas dizem (repetem repetem repetem choram) “monstro”. Os humanóides dizem “Sim! Monstro”.

Crucifica-o! Pena que ele já morreu… Comeríamos a carne dele.

Alzheimer para a miséria absoluta, para o chão rachado após tremor 8.0 na escala richter na vida de muitos outros miseráveis.

Entre a periferia e o firmamento há mais inferno e realengos que nossa vã ignorância possa desconsiderar. Nosso neonazismo camuflado em boa moral cristã quer inquisição de mãos bem lavadas.

Ninguém se crucifica nesse (por esse) Real Engenho. Real Engº. Realengo.

 

Soluço

9 ago

Para tudo nessa vida… Pára tudo (é, ainda estou preso a antiga regra gramatical)! O que eu ia comentar mesmo? Não sei. Perco-me com as palavras. Perco-me com meus pensamentos. Acelerados. Tudo é muito rápido. Que tempos loucos são esses? Gosto de calmaria, mas acham que isso tem a ver com irresponsabilidade. É isso que gosto de fazer: escrever. Se digo que não gosto de me expor, escrever é como um autismo que desenvolvi – escrevo acreditando que ninguém vá ler. Claro, meus textos são fantasias. Vejo uma ervilha e transformo num monstro que matei, sem necessariamente aquilo ter acontecido. Então, cuidado ao ler. Você pode entrar em um mundo de fantasia absoluta. Se és tão sério, não o recomendo, ao menos que se permita sonhar. Simplesmente sonhar. Gosto disso. Gosto de levar as coisas na leveza. Curtir pessoas e momentos somente porque eles existem e não porque eu tenho que os compreender e que sejam como eu quero. Gosto porque gosto, só. Não tento mais explicar nada. Cansei de teorizar as coisas. Posso discutir tudo, mas não me esforço pra isso. Chamem-me de alienado, pode ser. Isso não é ignorância da minha parte, acredite. Vejo na Universidade gente falando de Educação ou de Saúde, e fazem das suas pesquisas um estudo teórico, retórico. Falta paixão. Consegue me entender? Eu não sei bem lidar com o diferente. E não entendo como não conseguem me entender quando sou diferente. Hipocrisia, parodoxo. Sei lá. Você agora não me entende, né? Mas eu não quero que entenda. Siga comigo, apenas. Gosto de silêncio – não sei puxar assunto -, gosto de escutar histórias de pessoas, gosto de fotografia, viciado em músicas. Só sei conversar sobre isso. E isso tudo tá parecendo meio emo. Mas o meu autismo só me abandona depois que obedeço os dedos e escrevo. Ah, tenho tanto pra falar. Sobre família, sobre amores, sobre Bianca, sobre futebol, sobre meu Clarinete e sobre o violão. Mas isso fica pra uma outra hora com menos responsabilidades. Tempos loucos são esses. Eu preciso me matar pra viver. Nunca havia escrito dessa maneira. Não gostei, mas deu pra aguentar. São os dedos que mandam. Até um próximo soluço. Até um próximo surto de realidade. Tudo assim, sem parágrafo e com uma linguagem de principiante. Gosto de ser aprendiz.

Olá, como vai?

Faxina

22 mai

Oh, tem uma carta em cima da mesa

Tentei me explicar escrevendo, minha voz é gaga

Você sabe que eu prefiro escrever, sempre soube

Tô tentando limpar a poeira, nunca aprendi a lidar com essas tarefas

Não quero deixar nada debaixo do tapete, limparei tudinho

Desculpa manchar a casa, mas é por puro desastre

Acredita em mim, né?

Vou tentar recuperar o brilho da janela

Sua casa é linda, já disse?

.

PS: Espalhei uns bilhetinhos por aí dizendo que te quero tanto. E o chocolate tá no sofá.

Carta a quem vai partir

8 jan
Viajante,
Leve mala leve, ponha só o necessário.
A rosa, o livro e o filme guarde no peito.
Viaje leve, alma limpa. Cabeça erguida.
Siga seu rumo, vá crescer e dar um prumo!
.
Guardo os poemas de folha de caderno
Os desenhos de barcos e estrelas nomeadas
As fotos do festival repetem o som
Como do disco naquela noite de sábado
.
Entrei o ano suando e gostando sem “T”
Compus, me afinei, conheci a Lilly Braun
Mergulhei em filmes, voei sobre livros
E cavalguei em arquibancadas sujas de areia
Sempre levando você ou deixando ser levado
.
Mas o trem chegou e levou
A leitora, cavaleira, poetisa
Leve, viajante, todas as lembranças
Deixe meu coração

Desabafo

24 dez

Faz MUITO tempo que não escrevo, a preguiça contribuiu ENORMEMENTE para isso, mas eu havia parado por um outro motivo. Quase sempre sou muito crítico comigo mesmo, e o texto passado me fez parar muito tempo para refletir sobre ideias e como expor.

Eu curti muito a relação do jazz com as pessoas – sei que sou suspeito em falar, pois eu sou o autor -, porém vi que falar de alguns axiomas deu um tom clichê e pseudo-intelecutal ao texto. E todo mundo foge disso ao escrever.

O fato é que a cena realmente aconteceu e eu não entendi nada daquelas reações, afinal eram pessoas da mesma classe social. Deveria haver uma profunda compreensão, e não toda aquela intolerância.

Com toda essas expectativas de fim de ano e mudanças, talvez 2010 seja recheado de novos textos. Quem sabe até surge um confraria de escritores por aqui, não seria má ideia.

Enfim, de volta estou. Talvez clichê, talvez pedante. Mas sempre querendo aprender.

; )

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