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alô, alô, Realengo!

10 abr

 

 

Crucifica-o!

Pela televisão escorre sangue. Nos seus olhos também. Crianças mortas por um morto-vivo. Barrabás é o herói, e Pilatos diz “muito obrigado” – sempre de mãos lavadas, um toc.

A cheirosinha do jornal e os doutores especialistas dizem (repetem repetem repetem choram) “monstro”. Os humanóides dizem “Sim! Monstro”.

Crucifica-o! Pena que ele já morreu… Comeríamos a carne dele.

Alzheimer para a miséria absoluta, para o chão rachado após tremor 8.0 na escala richter na vida de muitos outros miseráveis.

Entre a periferia e o firmamento há mais inferno e realengos que nossa vã ignorância possa desconsiderar. Nosso neonazismo camuflado em boa moral cristã quer inquisição de mãos bem lavadas.

Ninguém se crucifica nesse (por esse) Real Engenho. Real Engº. Realengo.

 

Louvor

2 set
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Hoje, sem querer querendo, encontrei um tal de Gospel Center. Sabe lá Deus o que é aquilo! E acho que Ele realmente não quer saber. Mas ele é onisciente, né? Pobrezinho! Deve ser essas igrejas que oferecem um diferencial, vantagens e tudo o mais. Isso me parece empresa. Mas tudo bem.
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Mas também, sem querer querendo, escutei essa música ótima hoje. De um tal de Angenor Oliveira, vulgo Cartola. Já foi servente de pedreiro e considerado por alguns o maior sambista da música brasileira. Não falava evangeliquês, não fazia ministrações, não pedia bençãos ou unção, não profetava ou declarava regalias, gente simples e que reconhecia  vida como dádiva. Simples assim.
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[ENQUANTO DEUS CONSENTIR - CARTOLA ]
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“Enquanto Deus consentir vou vivendo
E cada dia que passa aprendendo
Amar ao próximo como eu amo aos meus
Pois se todos que existem na terra
São filhos de Deus
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Enquanto Deus consentir vou andando
E cada dia que passa pregando
Um pouco que aprendi
Em um livro de catecismo
E quantos seres humanos
Eu tiro do abismo
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Nunca use a injuria como arma de defesa
Agradeça sempre a Deus
O que tiveres em sua mesa
Amparai os inocentes
Se for cego dê-lhe a luz
Sem contar com a recompensa
Do Grande Mestre Jesus”

Poetizo

3 set

Sim, eu acreito em Deus. Pode ser meio absurdo isso. Tanto para mim que gosta de racionalizar tudo quanto para o meio onde vivo. Mas quem disse que Deus não pode ser racionalizado?

Sim, eu acredito na poesia. E assim, como acredito em Deus, acredito nela. Se existe poesia, como posso duvidar da existência de Deus? Como? Não há expressão humana mais profunda e mais inexplicável que a poesia. Provavelmente um pedaço do ser divino doado aos humanos.

A argamassa que preenche as formas do céu é feita de poesia. Deus come poesia, bebe poesia, descansa na poesia. O reduto de Deus é poesia. A poesia é a respiração de Deus.

Sinto-me mais perto Dele lendo poesia. É como se estivéssemos conversando na minha sala de estar. Ou até mesmo sentado batendo papo em frente ao mar tomando um açaí e tocando um violão.

Aos mais céticos, peço desculpas. É como se houvesse uma força que me obrigasse a acreditar nisso tudo. Não consigo duvidar. E ao religiosos mais ortodoxos, comecem por “Se Eu Quiser Falar Com Deus” de Gilberto Gil! Siiim, Gilberto Gil!

Poetizo, logo existo. Foi o que Deus disse no sétimo dia. É bem provável.

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