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Fatal

6 abr

- A senhora tem um tumor maligno. Começou no pulmão e agora…

 

Bla, bla, bla!! Diga logo qual o dia, caralho.

 

- Quanto tempo, doutor?

- Três meses. Consequência do cigarro! Tente parar e fazer…

 

Tente parar de transar por uma semana, imbecil. Vai ver como me sinto sem fumar.

 

Trêmula, sai da clínica, deixa o olhar se perder na avenida e tira da bolsa o seu companheiro de toda obra e hora desde os 13 anos: o cigarro.

 

Preciso dar! Preciso dar! Nããããão! Eu TENHO que dar!

 

- Táxi!!!

- Pra onde, senhora?

- Siga a BR até a saída da cidade.

Daqui pro fim da cidade são meus exatos três meses.

- Ali, ali! A esquerda, logo após o retorno!

- Aqui, moça?! Aqui?!

- Isso! Entra e não me pergunta mais nada até estacionar.

 

“Amor Fatal” piscava em vermelho neon. Parecia premeditado.

 

Carro parado. Porta aberta. Ar ligado! AGORA!

 

- Tira a roupa, cara!

- Moça, tem certeza?!

- Tira logo!

- Oh, assim, nem precisa pagar a viagem…

 

Dois corpos nus.

 

- Deita, velho.

Puxa o brinquedinho. Longo e frio.

 

- Moça, o que é isso? Pra que isso? Não, não…

- Eu preciso relaxar. Não vai me ajudar? Vira, posição fetal.

 

Nu eu vim, nu voltarei. Pra que esperar três meses?

 

E ela deu. Dois estouros secos. Vermelho. Silêncio.

 

Embaçou

14 jun

- Quando chegar em casa, me liga, amor!

- Ligo, sim. Ou entro no MSN, tá? Tchau.

Um beijo singelo dele. Um abraço desesperado dela. Um dueto:

- Vou sentir saudades.

Então, ele partiu no seu carro amassado rumo à BR. A chuva caía como benção. Pingo de chuva fraca não vai embora com pára-brisas; espalha. Tudo embaçado.

* * * * *

A chuva caía como maldição.

* * * * *

Um barulho como de trovão. Dois carros amassados.

* * * * *

A chuva havia parado. Nada mais embaçado. Tudo mais limpo e nítido através do pára-brisa. Mas o caminho parecia ser diferente. Ele para o carro e buzina para a criança na estrada:

- Por favor, essa estrada vai dar onde?

- Moço, não reconhece as ruas de ouro? Você já fez uma longa viagem. É melhor descansar.

* * * * *

Sem ligações, Sem MSN. Nunca mais beijos singelos, nem abraços desesperados. Só saudades.

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